quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Funerais foram acontecimentos transversais à minha vida. Nos pedaços de luz deixados a descoberto entre os casacos pretos das velhotas, lembro-me de crianças a brincarem nos pátios dos cemitérios como se nada fosse. Por vezes, eram netos ou mesmo filhos dos mortos, mas lembro-me de pensar que, na infância, as pessoas vão desaparecendo e, por vezes, partem-se em partículas de pó nas nossas mãos como se a sua existência tivesse sido irrelevante. É doloroso pensar que se pode desaparecer para os outros. Talvez seja semelhante à sensação de imaterialidade que tenho por todo o corpo, como se fosse tudo inconsequente ao ponto de me poder cair uma perna no chão, desmembrando-se da carne como a gota de chuva faz com o céu. 



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